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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A família No Contexto Escolar

                                                                         Texto de Simone Helen Drumond de Carvalho
Segundo Bourdieu (1984, p. 98), a família tem um papel de primeira ordem na trajetória social dos indivíduos, porque juntamente com a escola é responsável pela transmissão cultural; a sua eficiência depende do grau em que a mesma família participa dessa cultura.

Percebemos a importância da instituição familiar no que diz respeito a dar suporte no processo de escolarização dos filhos, controlando, ajudando no âmbito escolar. É uma função de ajuda que se deduz no próprio contexto familiar, mas que alcança também, como suporte os outros contextos de socialização das crianças.

Durante muitos anos, os pais orientaram a aprendizagem dos filhos, eles aprendem durante a infância as atitudes básicas de seu grupo cultural, além das estratégias que lhes permitem realizar essas aprendizagens. À medida que crescem, as necessidades de aprender tornam-se por um lado mais específicas e por outro, mais extensas, a influência dos pais é de suma importância, tanto para compreender e valorizar globalmente as tarefas, as dificuldades e os obstáculos que a criança pode encontrar, como para dispor dos meios para que possam superá-las. Com as mudanças ocorridas na estrutura familiar brasileira, muitos pais estão transferindo para a escola boa parte de sua responsabilidade na criação dos filhos. Não podemos depositar toda a culpa nos pais, pois eles acreditam que estão buscando o melhor para os seus filhos.

Como já foi citado no decorrer da pesquisa, com o passar do tempo à família sofreu certas mudanças em sua estrutura, com a necessidade de trabalhar os pais estão cada vez mais longe de seus filhos. Estes passam mais tempo sozinhos ou com pessoas que não são necessariamente um parente, causando para essa criança uma perda de identidade cultural e afetiva. Isto é, estão sendo criadas por pessoas que não são seus pais.

No ambiente escolar estão cada vez mais distantes e com dificuldades de aprendizagem, e a escola tendo que assumir as funções educativas que historicamente são dos pais. Podemos afirmar que em nossos dias atuais, a escola não pode viver sem a família e a mesma não pode viver sem a escola, esse trabalho em conjunto tem como objetivo o desenvolvimento do bem estar e da aprendizagem do educando.

As funções da família são compartilhadas com a instituição escolar, ambas têm objetivos semelhantes perante a sociedade: formar cidadão críticos, capazes formular suas próprias opiniões. A escola é o lugar do trabalho pedagógico formal, está aberta a diálogos quando necessário. Isto significa que os pais não precisam ir à escola apenas quando é uma reunião ou quando são convocados por causa de alguma reação indevida dos filhos. A mesma também deve ser ativa e participativa para despertar nos pais o interesse pelo desenvolvimento educacional dos filhos, promovendo eventos, reuniões não necessariamente para falar de notas ou comportamentos, mas para promover a interação, trocar informações que podem ser úteis para o dia-a-dia escolar. É importantíssima a conscientização de que a relação entre educação, escola/família/sociedade deve ser uma transformação contínua.

A escola deve buscar construir espaços de reflexão e experiências de vida na comunidade em que está situada para poder assim trabalhar melhor com as famílias de seus alunos, instituindo uma aproximação entre as duas instituições família/escola.

Segundo Ariés (1981, p. 123) a vida no passado, na Idade Média, era vivida em público, as casas eram abertas, as pessoas viviam misturadas. A família cumpria somente uma função, assegurava a transmissão da vida, dos bens e dos nomes, mas não penetrava no que diz respeito à afetividade. O mesmo ainda afirma que o mesmo problema de não se diferenciar um do outro ocorria também nas escolas. Adultos e crianças estudavam na mesma sala de aula.

Não era diferenciado o tratamento da criança para um adulto, assim quando deixava de amamentar, misturava-se com os adultos, usando os trajes parecidos como se fosse um adulto em miniatura, freqüentavam os mesmos eventos e participavam das mesmas conversas.

Assim, como nessa época não existia um sentimento de infância para a família, nas escolas não eram diferentes, a forma de transmitir conhecimentos era arcaica, rígida, uma disciplina severa, dentro de uma abordagem tradicional, a função da escola era só de transmitir conhecimentos disciplinares.

Segundo Ariés (1981, p. 125), a partir do século XIV apresentou-se um modelo de infância baseada na representação do menino Jesus e a Virgem Maria sua mãe, logo após começou a aparecer pinturas da criança com sua família.

A partir do século XIII foi que começou as alterações no que diz respeito à criança no contexto familiar. Agora as casas visam o isolamento dos quartos em especial para a criança que antes dormia junto com pais ou com a criadagem da casa.

O parto e a morte passaram a ter mais importância para os adultos, surgindo então um novo sentimento relacionado com a criança, tendo a intenção de estreitar os laços afetivos e preocupação com a educação, saúde e bem estar dos filhos.

As mesmas preocupações também surgiram no que diz respeito ao pudor, gestos obscenos, imoralidade.

A família passou a se preocupar em corromper a inocência da criança, recomendava-se vigiá-las, evitando promiscuidade entre os menores e as crianças maiores. Podemos notar que há muito tempo a família vem sofrendo algumas mudanças, o mais importante é que as crianças passaram a ser vistas e reconhecidas como um indivíduo que necessita de uma atenção especial, de uma educação primária que será a base para a sua formação.

Savater (2000, p. 48) diz que “o clima na família é aquecido pela afetividade, que proporciona a criança segurança e cuidado. Um lugar sem barreiras que possa distanciar os membros que vivem na mesma casa”.

Quando são passados para a criança exemplos de uma vida familiar saudável, a mesma tende a aceitar e a transmitir sua felicidade. Adultos que foram felizes nunca se esquecem de sua infância, a suspiram pelo resto da vida e tende a transmitir para os filhos.

O carinho, amor, respeito e aprendizagem no seio familiar formam um vínculo humano que nunca nada poderá apagar completamente, assim como nenhuma forma de socialização tem o poder se substituir a família.

A criança necessita de equilíbrio entre as pessoas que vivem com ela, compressão e carinho por parte dos pais e os pais precisam ter uma relação de diálogo como os filhos e comunicação de uma maneira transparente e sincera. É dentro de um cenário bem administrado que a criança constrói seu modelo de vida para seguir, isso se da devido ao contato coletivo com seus familiares.

A aprendizagem no seio familiar é de estrema importância para o bom desenvolvimento do educando e é a responsável pela educação primária. O apoio familiar é crucial no desempenho escolar. Pai que acompanha lição de casa. Mãe que não falta a uma reunião. Pais colaboradores e atentos ao desempenho escolar dos filhos é o sonho de qualquer professor.

Filhos de pais que participam das reuniões propostas pela escola e ajudam os mesmos nas atividades que o professor ministra geralmente é disciplinado, socializado, apresenta um grau muito pequeno de dificuldade de aprendizagem.

Não podemos esquecer que modelo de família nuclear tradicional mudou, mas mesmo que essa criança esteja inserida em um modelo diversificado do tradicional, se são transmitidos para ela os valores necessários para a sua vida, ela terá grandes chances de ser bem resolvida dentro de sua escola e da sociedade em geral.

Infelizmente a escola está passando por dificuldades nessa troca de papéis. Os pais estão mais distantes do que nunca e a escola tendo que realizar um papel que sempre foi e será da família, perdendo o tempo que seria destinado a alfabetização.

Para Savater (2000, p.72) “quando a família socializava, a escola podia ocupar-se de ensinar, agora ela não desempenha plenamente seu papel socializador”. Esse problema ocorre infelizmente porque muitos pais não priorizam a educação dos filhos como forma de melhorar a vida e o futuro.

Muitos desses pais são indivíduos endurecidos pela vida, por culpa de uma sociedade desigual, que não tem como prioridade os menos favorecidos. Portanto, esses pais não valorizam o estudo, acha que o importante é saber ler e fazer conta, adquirir conhecimento de cultura e cidadania é pura bobagem

A escola por sua vez necessita do apoio familiar, pois sabe que a mesma tem condições de melhorar quando a família está presente. O aluno ao perceber que a escola e sua família têm os mesmos objetivos com relação ao seu futuro, com certeza vai melhorar o seu desempenho, e melhorar também o seu relacionamento com ambas as partes. Na escola o indivíduo encontra alicerce para a sua formação, por tanto é importante essa união entre escola e família para a formação do aluno e cidadão social.



CUNHA (1995)



Lidamos com duas instituições de caráter educacional embutidas na missão de conduzir pessoas, levando-as do lugar e do estado em que se encontram no presente para um espaço futuro, supostamente melhor, mais desejável, superior e ainda diz que os pais estão insatisfeitos com a escola, e os professores também afirmam que as famílias deixam a desejar. Os filhos dessas famílias são os mais atingidos por essa antipatia que parece não ter fim. Geralmente esses são os que mais apresentam problemas de aprendizagem, indisciplina e os que menos os pais comparecem nas escolas (p.447).



As duas instituições gravitam em torno do mesmo centro, o aluno, esse por sua vez é o mais prejudicado pela falta de entendimento entre a escola e a família. As escolas não estão preparadas para essa tarefa tão difícil. Quase todos os dias dentro de uma sala de direção escolar ou coordenação, nós nos deparamos com alunos recebendo sermões por terem desacatado o professor ou colega de classe, mesmo entre os pequenos, percebemos uma violência constante.

Nas reuniões vemos a constante indignação do professor, os pais daqueles alunos que precisavam muito de vir, nunca estão presentes. A família precisa valorizar as oportunidades educativas dentro do âmbito do cotidiano de cada uma, valorizando e compreendendo a escola como formadora de pessoas, assim como ela.

Pais enfrentam grandes dificuldades de educar e cuidar dos seus filhos, devido a problemas econômicos sim, mas é uma situação que só poderá ser resolvida quando a sociedade em geral valorizar a educação como a única forma para reverter esse quadro.

Paro (1995, p. 124) ressalta que com o passar do tempo, a sociedade voltou um olhar mais profundo no que diz respeito à educação, a integração da escola com outras instituições socializadoras.

A escola passou a precisar cada vez mais do acompanhamento dos pais no percurso da educação, por tanto não está mais definido de quem é o papel, mas sim de ambas. A família é em primeiro lugar a responsável pela educação primária, todos os conhecimentos, seja de caráter, respeito, ética, parte inicialmente da família. E os pais por sua vez são os mediadores dessa educação, tudo o que a criança aprende no seio da família, seja ela adequada ou não é importante para o crescimento dessa criança.

A família tem o poder de transformar a vida dos filhos de tal maneira, que não há possibilidade de falar em aprendizado sem comentar sobre a importância dos pais no caminhar da vida educacional dos filhos. Infelizmente, diante da complexidade da vida atual, como já citamos em outro capítulo, os pais estão transferindo a responsabilidade de educar os filhos para a escola, sentindo-se incapaz de promover e facilitar a aprendizagem dos mesmos. Mas essa responsabilidade é da família, não há como transferir apenas para a escola a responsabilidade de quem os gerou, ela pode e deve ser compartilhada, mas não transferida.

A escola não é capaz e muito menos possui condições de substituir os pais na formação do indivíduo, e o acompanhamento dos pais na vida escolar é essencial. O aluno quando percebe que seus pais têm interesse em participar do seu cotidiano, ele por sua vez terá um bom desenvolvimento.

O diálogo é extremamente necessário entre ambas as partes, escola, filho e pais. Cada contato que os pais fizerem com a instituição escolar para saber sobre o andamento de seus filhos, seja por telefone ou pessoalmente, para fazer cobranças ou para elogiar, faz com que um vínculo seja criado, causando uma parceria que tem com objetivo o pleno desenvolvimento dos filhos. Essa parceira é algo que as escolas vêem almejando a muito tempo, é muito difícil construir uma escola de qualidade e alunos bem formados sem a contribuição dos pais, uma relação de ajuda na formação do ser humano.



ACÚRCIO (2004):



O papel da instituição familiar, proporcionar a educação informal, conhecida como educação de berço. Cuidar financeiramente enquanto não puder sustentar-se sozinho é um dos papeis da família, oferecer suportes necessários para o bom andamento na escola, principalmente amor, carinho e atenção (p. 24).



Muito dos problemas que alunos enfrentam na escola como indisciplina, má conduta e baixa aprendizagem são causadas por essa falta de compromisso que alguns pais deixam de ter com seus filhos.

Os pais são uns dos operados responsáveis pelo bom andamento dos filhos na escola. Cabe aos mesmos, proporcionar ambientes propícios de aprendizagens, e participar das ações promovidas pela escola não apenas quando forem convocados, mas sempre que acharem necessário.

O diálogo com o professor, diretor, coordenador pode ajudar e muito os pais a resolverem certas dificuldades encontradas pelo caminho.

A escola necessita ser mais democrática, ajudando esses pais a se encontrarem, não rotulando os mesmos com coerções ou apontando como os únicos culpados dos problemas causados pelos filhos.

É dever da escola complementar a educação familiar apenas o necessário, o que for de competência da família exclusivamente dela, deixar para que ela resolva se possível ajudar quando a mesma não tiver condições de resolver sozinha. Outra competência da escola é cobrar da família suporte afetivo, apoio, materiais escolares, hábitos saudáveis de saúde, amor e harmonia.

A escola poderá apenas complementar esses suportes e quando por ventura a família não tiver condições de suprir com alguns desses suportes, a escola deve encaminhá-la para um órgão responsável de assistência social.

Enfim, numa educação centralizada na formação do caráter moral, emocional e educacional dos indivíduos, fica evidente que a família desempenha um papel muito importante. Os pais são os principais responsáveis pela educação dos filhos tanto em casa como na escola.

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