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sábado, 13 de novembro de 2010

Importância da Pesquisa na Universidade

A pesquisa é entendida como uma atitude de “busca de conhecimentos”, não resumindo-se na “busca mecânica”, mas na elaboração via processo de pesquisa que, por sua vez, envolve a elaboração de projeto de pesquisa, coleta e análise de dados, elaboração de um relatório (texto, artigo, capítulo, livro) final. Também, como ato inerente à pesquisa tem-se a apresentação dos resultados obtidos, o que pode ser feito nos espaços de “trocas” de experiência de produção de conhecimento científico (congressos, seminários, etc).

Ela tem início com o processo de problematização do tema a ser estudado, que envolve estudos exploratórios, levantamento bibliográfico, seleção e análise dos textos que versam sobre o tema escolhido. A partir daí, propõe-se a questão que se pretende responder.

Desenvolve-se no interior dos espaços educativos formais e junto da comunidade onde a escola está inserida. As técnicas de pesquisa que fazem parte da abordagem qualitativa têm sido enfatizadas, dentre elas as entrevistas, observações, coleta de depoimentos orais e histórias de vida. Ainda é incipiente o número de pesquisas relacionadas aos espaços educativos não-formais e aos sujeitos que o compõem, tanto os educadores, quanto os participantes em geral.

Parte-se do pressuposto que o futuro educador necessita perceber as diferentes estratégias utilizadas no processo educativo, bem como identificar relações estabelecidas entre as pessoas de um determinado bairro (que participam de uma organização social) e a escola. Investigar quais saberes são produzidos em tais espaços e como eles podem contribuir para uma prática educativa menos distante dos sujeitos que dela participam, é uma das possibilidades oferecidas pelo ato da pesquisa.

A presença da pesquisa nas disciplinas de: Antropologia e Educação (Professor Francisco Junior), Metodologia do Trabalho Científico (Professora Persida Miki), e Introdução a Pedagogia (Professora Raimunda Gomes) foram bastante latentes e objetivaram focalizar o processo de pesquisa e incentivar o desenvolvimento do mesmo.

No trabalho de campo que desenvolvi em Antropologia e Educação, onde através da pesquisa, observei, analisei antropologicamente e construí um relatório técnico do recreio de uma unidade escolar. Aprendi que a experiência demonstra o conjunto de possibilidades presentes no processo pedagógico. Verdadeiramente a observação constitui-se num dos caminhos para a interpretação dos fenômenos que ocorrem no cotidiano e arredores da escola e visivelmente comprovei que muitas vezes, o olhar do acadêmico está impregnado de preconceitos a respeito das relações que se passam no espaço escolar. Porém, não é somente o olhar do aluno que está impregnado de preconceitos, pois o próprio professor, muitas vezes não se aproxima do aluno para perceber as suas características e trajetórias, bem como aprofunda o uso de rótulos que identificam os alunos como “problemas” ou como “espertos e ágeis”. Surgem comentários a respeito da indisciplina, sem de fato questionar o que seria a (in)disciplina; comentários sobre atuação autoritária de diretores e professores, sem no entanto, questionar os fundamentos da ação pedagógica, nem mesmo o processo de formação pelo qual tais profissionais passaram e o próprio contexto no qual estão atuando (quais relações de enfrentamento são postas no dia-a-dia). Tais situações demonstram o distanciamento entre professor e aluno na ação pedagógica e, por outro lado, demonstram a proximidade entre os discursos de um e de outro.

Anteriormente ao desenvolvimento do projeto de pesquisa, desenvolve-se um trabalho sobre os procedimentos inerentes ao processo de pesquisa, dentre eles: o ato de estudar; características do levantamento bibliográfico; a relevância do resumo e da resenha como fonte no processo de levantamento bibliográfico. Estas são dimensões técnicas da pesquisa, ao lado da normatização para a apresentação do texto acadêmico-científico. As dimensões teórico-metodológicas constituem o momento fundante do processo de pesquisa, pois implica no estudo e reflexão sobre os caminhos teórico-metodológicos que conduzem à construção de conhecimentos. A postura do pesquisador, frente aos sujeitos da pesquisa e à construção do conhecimento.

No trabalho de abordagem qualitativa de pesquisa, ministrado pelo professor Francisco Junior, percebi na escola que fui desenvolver minha pesquisa, que há certa preocupação com a “chegada” do pesquisador no espaço pesquisado, pois na maioria das vezes é um “estranho” que chega. Portanto, aproximação, respeito e conquista são elementos essenciais para iniciar a interação com o grupo da pesquisa.

Recordo-me da analise interpretativa do texto que estudamos em Filosofia da Educação II (Professor Aldo da Costa) – A educação brasileira: o caos total. Verdadeiramente no contexto escolar é possível presenciar o conformismo e aceitação de decisões educacionais, convive-se com práticas que buscam inovar as atitudes pedagógicas e a gestão escolar, assim como a relação com a comunidade, desenvolvendo projetos alternativos de “escola democrática”. Por que salientar o aspecto cultural? Porque a pesquisa parte-se da hipótese que muitas das atitudes existentes na esfera escolar estão em processo de transformação, ainda que lenta. Dentre tais atitudes nota-se a idéia de disciplina (visto como um problema nas escolas); a idéia de que o aluno ou o professor deve ser culpado pelo fracasso escolar. Os professores se culpam, de um lado; alunos se culpam de outro, esquecendo-se de que a problemática extrapola as dimensões pessoais, pois são questões nacionais. O professor Sandro Baçal evidenciou em sua disciplina que: “análises envolvendo elementos da Totalidade das relações sociais e educacionais no país, certamente contribuem para a compreensão da Parte que está sendo estudada e suas inter-relações com o Todo”.

Buscar elementos integradores na prática pedagógica e, portanto, no curso de formação de educadores é de fundamental importância, entendendo que tais elos podem ser construídos na prática, no processo de pesquisa, no coletivo de professores e alunos. Espaços tais como os denominados Projetos de Ensino e a prática da pesquisa possibilitam uma revisão do nosso paradigma a respeito da “participação”.. Constitui-se assim, um espaço de debate e da existência do conflito construtivo.

É possível constatar nos textos apresentados nas apostilas do curso de pedagogia do PEFD que os professores pesquisadores têm se dedicado a análises que visam refletir a própria prática pedagógica. Em todos os campos de pesquisa, os atores da investigação não podem excluir a idéia de totalidade que permeia cada uma das relações focalizadas. A prática do professor pesquisador está inserida num TODO de relações nacionais e internacionais que perpassam o campo educacional. A particularidade de cada ação, seja do professor ou do aluno, ou ainda da comunidade, é composta de elementos culturais (que traduzem uma ideologia) construídos historicamente no país. Um dos desafios atuais está no campo do rompimento com laços culturais que colocam o aluno no lugar do “aprendiz” e o professor no lugar de “transmissor de conteúdos”. No estudo das tendências pedagógicas com o professor Sandro Baçal ficou evidente que o professor necessita produzir conhecimentos, antes de transmiti-los; é por isto que se enfatiza a necessidade da pesquisa e dos espaços que a propiciam, nos cursos de graduação e no decorrer da formação continuada do profissional da educação e que no campo educacional, inúmeras transformações foram processadas nos últimos anos da década de 1990, dentre elas a introdução da mídia interativa no processo da formação de educadores. Também, o enfoque nas competências e habilidades dos alunos tem sido destacado como uma das centralidades da educação na atualidade. Fala-se muito na construção da cidadania, no entanto, a autonomia, que seria um dos pilares da cidadania, fica em segundo plano quando há a retomada da ênfase nos aspectos tecnicistas da educação.

Em nossa classe, é possível evidenciar os processos de transformação individual, coletivo e social dos acadêmicos de Pedagogia, ou seja, as vivencias educacionais têm possibilitado uma ação diferenciada na projeção de saberes. Porém, é possível constatar que os sujeitos centrais desta mudança não serão apenas os professores, os discentes, os coordenadores de curso, mas futuramente as políticas públicas. Quando à senhora professora Selma Baçal, relatou sua participação na construção da história da conquista do passe estudantil. Mostra-nos, portanto, que a ação, quando analisada, carrega o componente “política pública”.

Neste fato da história da sua vida, a senhora nos mostra de certa forma, que as experiências possibilitaram um repensar do tempo vivido e uma reflexão sobre as características de nossas concepções, para uma projeção coesa e matura no futuro.

Todos os conhecimentos através da experiência possibilitam a ampliação dos conhecimentos acerca dos conceitos, da pesquisa, do ensino, da educação, da participação e da democracia.

Verdadeiramente a indissociabilidade entre ensino, experiência e pesquisa é fundamental na formação do cidadão, pois é o elo que possibilita a construção de novos conhecimentos, bem como o reconhecimento daqueles historicamente sistematizados.

Pesquisar “estudar”; desenvolver a postura de leitor sujeito, possibilitando práticas de letramento emancipatórias. Assim, acadêmicos e professores estarão fazendo a própria história, não sobre as circunstâncias dadas, mas sobre aquelas criadas pelo grupo, ou seja, pelos sujeitos históricos dos cursos de Pedagogia.

Em fim, pesquisador na sociedade aprendente é...

... “ter uma concepção de educação; ter uma formação política, ética, isto é, ter compromisso; respeitar as diferenças; ter uma formação continuada; ser tolerante diante de atitudes, posturas e conhecimentos diferentes; preparar-se para o erro e a incerteza; ter autonomia didático-pedagógica; ter domínio do saber específico que leciona; ser reflexivo e crítico; saber relacionar-se com os outros; ter uma formação geral, polivalente e transversal”. Enfim... fazer da profissão um projeto de vida.



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